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Poeta castrado, NÃO!


Espectáculo de Homenagem
4 de Dezembro, pelas 21h30, no Coliseu dos Recreios, Lisboa

Este espectáculo, que terá lugar no ano que assinala o 35º Aniversário de Abril, contará com a participação de Carlos do Carmo, que interpretará poemas de Ary dos Santos, do pianista Bernardo Sassetti e dos músicos Ricardo Rocha, (guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (viola) e Fernando Araújo (baixo).

Poeta castrado, não!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Ary dos Santos

2 comments

Magnífico este poema! Infelizmente não conheço muito da sua obra mas adorei este poema.

Achei um blogue muito interessante, penso vir cá com alguma regularidade. :)

Cumprimentos.

Mário Carreiro

Caro Mário, obrigada pela visita. Apareça sempre!

Quanto ao Ary, dele vale a pena conhecer tudo. Era um personagem, homem, poeta magnífico!

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